minha pele é negra
como é negra a própria noite
trago as marcas dos açoites
por onde o sangue jorrava
meu braço é forte
como era forte o tronco
onde o negro fraco e bronco
amarrado lamentava
hoje eu sou livre
mas não posso esquecer
que pra livre hoje eu ser , meu deus
muita gente já morreu
não é revolta
nem lembrar do que passou
na vida tudo se esquece
e o tempo já apagou
mas é
que nas noites de tristezas
quando o meu berimbau chora
parece que é mesmo agora
eu ainda posso escutar
um soluço, um lamento
um barulho de corrente
ai me dá vontade de chorar
no tempo do cativeiro / quando o senhor me batia…
eu rezava pra nossa senhora, ai meu deus
como a pancada doía

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~ por Alfredo em outubro 15, 2007.

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